Em 2019, o metrô de São Paulo transportava em média 4,2 milhões de passageiros por dia. Em 2026, esse número é de 3,6 milhões — 14% abaixo do pico pré-pandemia. A situação se repete, com variações, em praticamente todas as grandes cidades brasileiras.
O fenômeno tem múltiplas causas: o trabalho remoto reduziu permanentemente o número de deslocamentos diários; a popularização dos aplicativos de transporte individual criou uma alternativa conveniente; e, em muitas cidades, a qualidade do transporte público deteriorou durante a pandemia e nunca se recuperou completamente.
O círculo vicioso
Menos passageiros significa menos receita. Menos receita significa menos investimento em qualidade. Menos qualidade significa menos passageiros. É um círculo vicioso que as empresas de transporte público — sejam estatais ou concessionárias privadas — enfrentam em todo o mundo, mas que no Brasil tem características específicas.